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Mamão para cachorro parar de comer fezes: saiba se funciona

Mamão cortado pela metade e em pedaços

A coprofagia canina é o nome dado ao problema de cães que comem as próprias fezes ou a de outros animais. Muitas vezes, para resolver este problema, os tutores recorrem a algumas soluções caseiras. Uma dessas soluções é dar mamão para cachorro parar de comer fezes, mas será que ela realmente funciona?

O mamão é uma fruta rica em vitaminas do complexo B, fibras e outros minerais que a gente usa como um laxante leve quando temos alguma obstrução intestinal. Mas, será que cachorro pode comer essa fruta? Ou melhor, será que ela é indicada quando o pet tem o hábito de comer seu cocô?

Você saberá agora se o mamão pode ser um remédio natural para o cachorro parar de comer fezes, e descobrirá também uma forma simples e descomplicada para que seu pet abandone esse hábito nada saudável.

Índice

Meu cão está comendo cocô! E agora?

Ao longo de mais de 15 anos atuando com cães que sofrem com coprofagia canina, pude notar que os tutores, muitas vezes, estão desesperados para resolver a situação. Esse desespero faz com que eles busquem soluções milagrosas, remédio comerciais, dicas de frutas e receitas caseiras.

Depois de um período, os donos de cachorros coprófagos geralmente afirmam: “eu tentei de tudo para meu cão parar de comer e nada deu certo”.

Fato é que as tentativas pioram o quadro de coprofagia, visto que este problema tem uma origem multifatorial e que “tentar e não conseguir resolver” só leva a mais desespero.

A coprofagia canina é um distúrbio comportamental, que envolve hábitos, rotinas, e a percepção subjetiva do cão. Dessa forma o tutor não pode basear suas ações para resolver a questão em “achismos”. Então, é de suma importância entender o que se passa na cabeça do cachorro para conseguir resolver a situação.

Pode dar mamão para o cachorro?

Exemplar de Chihuahua sentado em uma madeira

Sim, o cachorro pode comer mamão. Em síntese, não há restrição alguma em oferecer uma fruta para o cão como forma de mimo, sobremesa ou recompensa.

De modo geral, como já comentei antes, o mamão é fonte de fibras, vitaminas e minerais, nutrientes muito bons para qualquer dieta canina. Dessa maneira, o dono pode ofertar a fruta para seus cães como uma forma de complementar a dieta.

No entanto, fique atento com a quantidade. Para um cão da raça Chihuahua, que pesa 1,5 quilos, uma pequena fatia de mamão pode trazer sérios problemas como diarreias e desidratação. Já para um labrador de 40 quilos, provavelmente será um bom petisco.

Outro problema é ofertar com casca e sementes. Isso porque, enquanto que para nós, humanos, a casca e a semente podem ajudar e não são problemáticas, nos cães podem gerar prisão de ventre e até obstrução gastrointestinal. Portanto, aqui entra a percepção individual do tutor e o bom senso!

Além disso, vale ressaltar que a oferta do produto natural agrega um efeito positivo ao menu do bichinho, mas não substitui uma ração adequada e rica em nutrientes.

Mas afinal, dar mamão funciona para coprofagia?

Não. Apesar do mamão conter a papaína, que é uma enzima valiosa para o trato intestinal, existem dois fatores que devem ser considerados: 

1) Qual é a quantia exata que precisa ser dada para o cão e por quanto tempo precisa ser ministrado o mamão? Respostas vagas não colaboram com o cachorro que sofre com coprofagia, e há uma total imprecisão com uso deste tipo de alimento. 

2) Mesmo que esteja tudo calculado e correto, ainda assim essa abordagem pode apenas solucionar a questão nutricional, sem levar em consideração as causas clínicas, emocionais e comportamentais. 

Desse modo, apenas dar mamão não vai resolver o problema. Como dono de um pet que come cocô, você precisa tratar todas as partes que estão envolvidas com essa questão para ter, realmente, o resultado esperado.

Cuidado com as dicas milagrosas para coprofagia

A aplicação de dicas milagrosas com o cão que tem o hábito coprófago pode ser bem perigosa, porque a adoção de um remédio caseiro para cachorro parar de comer fezes ineficiente pode fazer com que o animal repita mais vezes o comportamento-problema (ato de ingerir as fezes), e fique cada vez mais viciado, o que torna a solução mais difícil e trabalhosa.

Isso porque tem-se um comportamento condicionado mais resistente à mudança. Com isso é observado que o uso de dicas milagrosas potencializam a coprofagia canina.

Semelhante ao mamão, o abacaxi é outra fruta que cachorro pode comer e que aparece como solução caseira para a coprofagia. Mas, assim como a primeira opção, dar abacaxi para cachorro parar de comer fezes não resolve a questão.

Como fazer o cachorro não comer fezes?

Lhasa Apso brincando em um parque

Antes de falar sobre a solução definitiva para que o cachorro deixe de ingerir cocô, você precisa entender que cada caso é um caso. Ou seja, além da coprofagia canina ser causada por motivos diferentes, ela precisa ser analisada dentro do contexto de cada cachorro.

Para entender melhor como evitar que seu cão faça a ingestão de fezes e como tratar a coprofagia, confira as orientações a seguir:

Comer Cocô Nunca Mais

Como evitar a coprofagia

A primeira coisa a se fazer quando se tem um cão que sofre com coprofagia canina, é descartar causas clínicas. Na grande maioria dos casos de coprofagia essa não é a principal causa, mas caso o animal tenha vermes, giárdia e algum distúrbio gastrointestinal, o médico veterinário deve prescrever um tratamento.

Evitar brigas e broncas também é necessário para melhorar os quadros de coprofagia, visto que o cão pode ficar com medo ou mais ansioso, fazendo com que se esconda para evacuar ou fique confuso quando vê cocô no ambiente.

Parar de limpar os dejetos na frente do cão também é importante, porque cães são animais de grupo e aprendem por observação e imitação da ação de outros seres do bando. Logo, limpar as fezes na frente do pet fará com que ele adapte o comportamento, “limpando” o cocô com a boca.

Regrar a alimentação em quantidade e qualidade, assim como mudar a forma de alimentar, passando a ofertar a ração de forma ativa (ou seja, utilizando brinquedos dispensadores de alimento), são ações que ajudam na diminuição dos atos de mexer, pegar ou comer o cocô.

Por fim, regular a rotina torna-a previsível para o cão e ajuda a diminuir o estresse e a ansiedade, o que também vai colaborar para melhoria dos quadros de coprofagia canina.

Como tratar a coprofagia

Tutora com seu filhote de Shih Tzu em um sofá.

Todas as causas da coprofagia devem ser atacadas de uma vez só, por isso resolver as questões clínicas, nutricionais, emocionais e comportamentais devem acontecer simultaneamente. Para isso, você deve:

  • Regular a alimentação, fazendo a troca de ração (caso seja necessário) para uma de melhor qualidade;

  • Calcular a quantidade correta de alimento baseando-se no peso do cão e na quantidade calórica do alimento;

  • Alterar a forma de oferta da refeição, dando a comida em brinquedos dispensadores de alimento e/ou brinquedos recheáveis com comida;

  • Se certificar que não haja vermes ou outros parasitas intestinais;

  • Eliminar as brigas e broncas;

  • Não limpar as fezes na presença do cão.

Para resolver a causa comportamental é necessário ensinar ao cão qual a atitude correta que ele deve ter quando ver as fezes no ambiente, que é se afastar e ignorar o cocô.

Isso só se consegue com educação canina amigável e positiva, construindo passo a passo o comportamento correto e aprovado, através do uso de recompensas e incentivos emocionais.

Dessa maneira, você consegue mostrar que o comportamento ideal para o cãozinho é sair de perto dos dejetos e, como efeito disso, ele vai deixar de comer as fezes.

Conclusão

Como informei no início, alimentos naturais como as frutas podem ser fonte de nutrientes interessantes para a dieta do cãozinho. No entanto, algo que precisa ficar claro é que elas não solucionam a questão dos cães que comem fezes. Afinal, resolvem apenas a parte nutricional que pode estar deficiente, mas não dão conta de todas as razões que levam ao comportamento.

Portanto, o melhor a se fazer é combater todas as causas ao mesmo tempo. Por isso, investigue possíveis motivos clínicos, adote uma postura mais amigável sem xingamentos, e invista em passeios e brinquedos que melhorem o bem estar do cachorro.

Ademais, para saber como ensinar passo a passo o comportamento adequado ao doguinho, de sair de perto das fezes quando evacuar, conheça o Método COMER COCÔ NUNCA MAIS, por meio dele você vai conseguir com que seu cão pare de UMA VEZ POR TODAS de comer cocô. Clique no botão abaixo:

Perguntas frequentes

Para que seu cachorro pare de ingerir fezes, você pode consultar um veterinário para tratar de questões de saúde que podem estar presentes e que estejam levando ao problema (o que não ocorre com tanta frequência). Mas, o mais importante é trabalhar as partes emocional e comportamental com o bichinho.

Nesse sentido, ao invés de dar um remédio caseiro e sem comprovação efetiva, opte por eliminar os erros: pare de brigar com o cachorro coprófago, não recolha as fezes na frente dele e, principalmente, ensine seu peludo a abandonar os dejetos sempre que evacuar.

Tanto para filhotes quanto para cães adultos, o ideal é ofertar uma ração do tipo Super Premium, pois esta possui mais nutrientes, necessários para mantê-los saciados. Com ela ministrada na quantidade certa, os cachorros fazem a absorção do que precisam para o dia-a-dia, o que ajuda a controlar a questão da coprofagia.

Para manter o comportamento coprófago sob controle nos cães, você pode ofertar uma dieta de alto valor nutricional, colocar o alimento em brinquedos dispensadores para que o animal fique mais entretido, investir em recursos de enriquecimento ambiental, fazer passeios, e ensinar o peludo a se afastar do cocô por meio de uma educação canina positiva, sem broncas.

De modo geral, todas as raças podem manifestar o hábito de comer cocô. No entanto, a observação empírica da questão mostra que raças como Shih Tzu, Samoieda, Spitz Alemão, Labrador, Border Collie, Pastor Alemão, Lhasa Apso, Maltês e Pastor de Shetland demonstram uma tendência maior a ter hábitos coprófagos.

Rafael Wisneski

Rafael Wisneski

Especialista em Comportamento Canino e Educação Canina há mais de 15 anos, professor universitário de cursos de Medicina Veterinária, e idealizador de cursos online para tutores e cursos para adestradores

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